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terça-feira, 21 de abril de 2020

Depois da gripe espanhola, o Hospital

Por Cecilia Mattos Setubal
O Fluminense, ed. 15.658, 5/4/34


21 de abril de 2020. Hoje se completam 129 anos de nascimento do jornalista Belarmino de Mattos (1891-1970).
Estamos em meio a uma pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19), que já matou mais de 175 mil pessoas em todo o mundo. O Brasil, até o momento, tem 2.757 mortes. Na estatística nacional, o Estado do Rio de Janeiro está em segundo lugar, com 461, e São Paulo em primeiro, com 1.093. 
Os números crescem dia após dia. Mas o presidente Jair Bolsonaro disse que é só uma gripezinha… Tal como em 1918, nos EUA, onde surgiu o vírus da gripe espanhola, o presidente Woodrow Wilson negou a gravidade dizendo que era só uma gripe. E foram 31 milhões de mortes.
De navio, a gripe espanhola chegou à América do Sul, ao Brasil e a São Gonçalo.
Há 100 anos, o mundo viveu a maior pandemia de que já se teve notícia. Provavelmente foi o que provocou uma mudança de cenário, gerando o movimento pela criação do primeiro hospital de São Gonçalo. Belarmino de Mattos, 29 anos, dirigia o jornal A Gazeta, fundado por ele e seu irmão gêmeo Abílio José.
No início do século XX São Gonçalo não tinha hospital, apenas um pequeno pronto socorro, que não resolvia casos complicados, transferidos para Niterói. O estudante de medicina e farmacêutico Luiz Palmier (1893-1955), nascido em Sapucaia, chegou à cidade em 1918 com a missão de ajudar a combater a gripe espanhola.
Em 1920, um grupo de amigos liderados por Palmier formou um movimento Pró-Hospital, que deu origem à Associação do Hospital de São Gonçalo. Participaram Hermogenes Lima, Belarmino de Mattos, Armando Ferreira e outros. Entretanto, este projeto só se concretiza em 1934, quando a prefeitura e o estado liberam recursos para concluir as obras e colocar o hospital em operação. Neste ano da inauguração, Belarmino já era diretor de outro jornal, O São Gonçalo, fundado em 1931.
Em homenagem ao seu fundador, essa unidade de saúde, anos depois, recebeu o nome de Hospital Luiz Palmier (HLP); recentemente,a prefeitura adaptou o espaço, tornando-o referência municipal no tratamento de pacientes infectados pelo Coronavírus. 
São Gonçalo, com mais de um milhão de habitantes, terá também um hospital de campanha do estado com 200 leitos. Ainda é pouco, mas se o enfrentamento à Covid-19 na cidade alcançar êxito semelhante ao de Luiz Palmier e sua equipe, deixará um importante legado para a vigilância epidemiológica.

Associação busca apoio do estado
 para  hospital - O Fluminense
ed. 12.739 - 4/11/24

Primeira diretoria: Luiz Palmier,
Alonso Faria, Belarmino de Mattos,
Gurgel Oliveira, Ismael Branco


sábado, 24 de agosto de 2019

A Gazeta e a imprensa gonçalense

Por Rui Aniceto Nascimento Fernandes*

A Gazeta, 7 de março de 1920

A história da imprensa de São Gonçalo ainda está para ser escrita e muito já se perdeu. Trabalhos pioneiros, nessa seara, foram realizados por Luiz Palmier (1), Godofredo Tinoco (2), Homero Guião (3) e Maria Nelma de Carvalho Braga (4). Traçaram listagens com dados sumários relativos às datas de circulação e informações sobre os editores dos periódicos locais. 

Os estudos de maior fôlego foram realizados, na década de 1980, por Cybelle e Marcello de Ipanema e publicados originalmente no jornal O São Gonçalo (5). Pela síntese feita pelo casal, do surgimento da primeira folha local, em 1877 até 1913 São Gonçalo teria contado com 9 jornais de efêmera periodicidade: 
A Matraca (1877), Lavoura S. Gonçalense (1879), Folhinha (1891), Pharol (1891), O Progresso (1894), Gazeta do Município (1903/1904), O São Gonçalo (1904), Neves (1906), O Futuro (1907).


Estes jornais teriam perfil literário e/ou político. A Matraca, por exemplo, circulou entre 1877 e 1879, quando São Gonçalo ainda era freguesia niteroiense, era um semanário “crítico e recreativo”. Já O Futuro era “órgão do Partido Republicano de São Gonçalo” (6). 

Pelo menos duas características desse período ainda estão presentes nos dias atuais: a efemeridade e a vinculação a correntes ou personagens políticos. Perspicazmente Palmier sentenciava: “as lutas políticas foram sempre motivo do maior esplendor ou decadência das empresas jornalísticas”. 


A Gazeta foi o primeiro jornal local de periodicidade regular. Iniciou suas atividades, sob direção dos irmãos gêmeos Abílio José e Belarmino de Mattos, em 24/8/1913, com edições semanais. O movimento político de 1930 impactou essa folha. Seu posicionamento frente às eleições municipais de 1929 foi levado em consideração pelos adeptos do regime instaurado em outubro de 1930.


Naquele pleito eleitoral A Gazeta tributou apoio ao candidato situacionista, indicado pelo presidente do Estado Manoel Duarte. Vitorioso o movimento que levou Getúlio Vargas ao poder, as forças legalistas foram depostas e A Gazeta foi empastelada. Este fato levou ao rompimento da sociedade dos irmãos Mattos. 

Belarmino de Mattos organizou-se para lançar seu novo jornal. Em 22 de janeiro de 1931 saiu o primeiro número de O São Gonçalo afirmando-se órgão independente das correntes políticas e pró-desenvolvimento local. Em 9/11/1930 Abílio José de Mattos retomou as atividades de A Gazeta mudando significativamente sua linha editorial. Circulou até 1937** (7). 
* Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Gonçalo (IHGSG), da Academia Gonçalense de Letras, Artes e Ciências (Aglac), e do Instituto Histórico e Geográfico Itaborahyense (IHGI).

           ** Após o falecimento de Abílio José de Mattos, em novembro de 1935, A Gazeta continuou a circular por mais dois anos. 

______________________

1) Luiz Palmier. São Gonçalo, cinquentenário. História, geografia, estatística. Rio de Janeiro: Serviços Gráficos do IBGE, 1940.
2) Godofredo Tinoco. Imprensa Fluminense. 1826-1963. Rio de Janeiro: Livraria São José.
3) Homero Guião Filho. História de São Gonçalo. São Gonçalo: s/n., 1968.
4) Maria Nelma de Carvalho Braga. O município de São Gonçalo e sua história. 3 ed. Niterói: Nitpress, 2006.
5) Os artigos do casal Ipanema teriam sido publicados nas edições de 14-15/3/1981, 21-22/3/1981, 28-29/3/1981, 4-5/4/1981, 11-12/4/1981 e 17-19/4/1981. Esses artigos foram reunidos no livro: Cybelle de Ipanema; Marcello de Ipanema. Imprensa Fluminense. Ensaios e Trajetos. Rio de Janeiro: Instituto de Comunicação Ipanema, 1984.
6) Idem, p. 183.
7) Em setembro de 2002, A Gazeta voltou a circular, por um curto período, sob direção de Cezar Mattos, filho de Belarmino de Mattos.

terça-feira, 21 de maio de 2019

Palestra no IHGI

A jornalista Cecilia Mattos Setubal, a convite do Instituto Histórico e Geográfico Itaborahyense (IHGI), realizou palestra no dia 18 de maio de 2019 sobre o Capitão Belarmino de Mattos e a fundação do jornal Folha de Itaboraí em 1948.